Economia

Agronegócio impulsiona economia brasileira

Pedro Geyerhahn, da Cargill, explica porque setor tem chamado cada vez mais a atenção do mercado financeiro.

O agronegócio é o propulsor da economia brasileira. Além de representar 25% do Produto Interno Bruto (PIB), o setor é responsável por 48% das exportações totais do Brasil. Os dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também apontam que a soja lidera o ranking com 48,8% das exportações, gerando um total de US$ 4,72 bilhões para o País.

Ainda segundo a pesquisa da CNA, o setor tem contribuído para que o Brasil tenha um saldo positivo na geração de empregos. O agronegócio gerou mais de 46 mil novos postos de trabalho no primeiro semestre de 2017, apresentando um crescimento de 2,95%. As culturas responsáveis por esse resultado foram o café, especialmente em Minas Gerais, a laranja em São Paulo, e a cana-de- açúcar em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Com números tão expressivos, fica claro que o agronegócio é um dos maiores players da economia nacional – isso se não for o maior. Com o intuito de descobrir como o setor é visto hoje pelo mercado financeiro, a Mercosul Negócios conversou com Pedro Geyerhahn, tesoureiro regional do Grupo Cargill (www.cargill.com.br), companhia focada em diferentes atividades agrícolas. O bate-papo completo você confere a seguir.

Mercosul Negócios: O quão importante é o agronegócio para a economia brasileira? Pedro Geyerhahn: O agronegócio é extremamente importante para a economia nacional. Além de ser parte relevante do PIB, seja diretamente ou indiretamente por meio do efeito multiplicador da economia, a área vem crescendo a um ritmo mais rápido do que o observado pela economia brasileira nos últimos anos e servido como um porto seguro para investimentos no Brasil. A boa safra deste ano exemplifica bem o que o setor pode fazer pelo País, com reflexo bastante positivo para os números do PIB alcançados no primeiro trimestre de 2017.

MN: Essa relevância no PIB tem tornado o agronegócio mais atrativo para o mercado financeiro? PG: O agronegócio tem sido foco de muitos agentes financeiros. O setor vem crescendo em um ritmo mais rápido do que a economia em geral e isso aumenta o apetite por investimentos. Muito bancos, por exemplo, estão direcionando um volume de crédito maior ao agronegócio do que ao setor de construção, que vem sofrendo nos últimos dois anos por causa da crise econômica no Brasil.

MN: Mesmo estando é alta, o setor ainda pode melhorar. O que é possível fazer para tornar o agronegócio mais atrativo para o mercado financeiro? PG: O que falta para o Brasil dar mais um salto na produtividade é fazer grandes investimentos em infraestrutura, principalmente em ferrovias e portos. Apostando em tais recursos, o País obteria competitividade internacionalmente, pois conseguiria escoar a sua safra de forma mais eficiente, e até poderia aplicar recursos para um eventual pagamento do serviço de dívida ou novos investimentos.

MN: Hoje, quais são os principais recursos financeiros disponíveis para quem trabalha com agronegócio no Brasil? PG: Além dos mais tradicionais, como o título de crédito Cédula de Produto Rural (CPR), outros tipos de instrumentos estão se tornando atraentes para o setor. Um exemplo é a Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que proporciona uma forma relativamente mais barata de captação de recursos aos agentes financeiros. Ela também apresenta boa atratividade para os investidores do tipo pessoa física devido ao tratamento tributário diferenciado, que dá isenção de impostos sobre juros.

MN: E em relação ao Mercosul, atualmente, como o bloco econômico é visto pelos investidores? PG: O livre comércio entre países é positivo. Só que o Mercosul é uma iniciativa que teria que avançar ainda mais neste sentido para que pudesse tornar-se de fato um mercado comum. É necessário eliminar completamente os impostos e as restrições ao trânsito de pessoas, serviços e mercadorias para que o bloco se torne atrativo para investimentos internacionais.

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Potência no PIB No primeiro trimestre de 2017, a economia brasileira apresentou alta após oito trimestres de queda. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,0% em relação ao quarto trimestre de 2016, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, a economia do País produziu R$ 1,595 trilhão.

O agronegócio foi o setor responsável por sustentar essa alta do PIB. A área registrou a maior expansão em mais de 20 anos com salto de 13,4% em relação ao trimestre anterior. A safra recorde de grãos, com 232 milhões de toneladas, ajudou a impulsionar o resultado. Foi o maior crescimento alcançado desde o quarto trimestre de 1996.

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Foto 1 – Jonas Oliveira/ANPr
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