Maquinario

Maquinário agrícola

O equipamento básico que todo agricultor deve ter e como anda o cenário de
exportações no Brasil e no Mercosul

A mecanização agrícola está atrelada a ideia de aumentar a escala de
produção, tornando os processos mais precisos e otimizando a mão-de- obra. O
primeiro registro dessa automação vem do século XVIII com a Revolução
Industrial e o aumento da população europeia, que clamava por uma demanda
maior de alimentos.

Um dos destaques dessa época foi o semeador mecânico. Criação do
agricultor inglês Jethro Tull, a engenhoca puxada a cavalo lançava sementes
pelo solo. A invenção de 1708 fez com a mecanização da agricultura se
tornasse algo realmente palpável. Isso porque, com ela, os trabalhadores não
somente economizavam sementes, como aumentavam a produtividade
fazendo com que seu negócio prosperasse.



Com o avanço tecnológico, a mecanização se firmou. Mas o setor não mostra
sinal de cansaço. No Brasil, a previsão para 2017 é que a produção de
máquinas cresça 10,7% e as vendas, 13%. As informações da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) mostram que a
área vai muito bem diante de uma economia que, na melhor das hipóteses, vai
crescer 0,5%.

Maquinário básico

As máquinas agrícolas hoje são usadas para automatizar quatro principais
operações. A primeira é a preparação do solo. Nesta etapa, um equipamento é
atrelado ao trator. Chamado de “implemento de arrasto”, o equipamento tem a
função de deixar o solo propício para receber a semente. A segunda fase é
justamente o plantio. Quem faz o trabalho é a semeadora, que posiciona as
sementes nos locais corretos.

A terceira etapa é a de aplicação de defensivos agrícolas, também conhecidos
como pulverizadores. Essa operação ocorre diversas vezes ao longo do plantio
e tem o objetivo de controlar as pragas que podem prejudicar a safra. Por fim,
vem a fase da colheita. Um veículo autopropelido é responsável por recolher os
grãos do campo. Nesse caso, é necessário usar um sistema diferente para
colher cada tipo de plantio.

Esse bê-á- bá é praticamente seguido por todos os países, incluindo as nações
do Mercosul. Aliás, no Brasil, a mecanização agrícola tem um importante papel.
Graças a ela, em pouco mais de 60 anos, as terras tupiniquins se tornaram
exemplo mundial em produtividade e inovação. Além disso, o agronegócio se
consolidou como um dos setores mais importantes para a economia do País.

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Trator: máquina essencial


Não é à toa que, ao falar em maquinário rural, logo se pensa em trator. O
veículo é o coração das operações agrícolas. Isso porque é um equipamento
versátil que pode ser usado em mais de uma etapa da colheita. Por exemplo, é
possível adicionar um implemento e transformar o trator em um pulverizador –
assim, o trabalhador só precisa fazer um grande investimento.

Vale destacar também que o trator é o principal ponto de referência para os
índices de mecanização do campo. Um país é considerado mais ou menos
mecanizado de acordo com o número de tratores em funcionamento. Outra
métrica é de acordo com a idade da frota. Quanto mais antigos os tratores
forem, pode-se dizer que os investimentos na agricultura naquela região estão
em baixa ou são insuficientes.



Panorama brasileiro
A mecanização agrícola ganhou força no Brasil na década de 1950. A data
coincide com a chegada dos primeiros tratores em solo nacional. Os veículos
eram exportados pela finlandesa Valmet. A primeira máquina produzida no
País, entretanto, só surgiu em 1960. O modelo foi o 8-BR Diesel, da Ford. A
fabricação abriu espaço para outras empresas. No mesmo ano, mais dois
tratores invadiram o agronegócio. São eles: MF 50 da Massey Ferguson,
popularmente chamado de “Cinquentinha”, e o Valmet 360.

De lá para cá, o Brasil passou a investir mais na mecanização da agricultura.
Embora o desempenho do setor não seja tão reconhecido internamente e seja
praticamente desconhecido no exterior, ele tem ajudado a fortalecer a
economia nacional. Individualmente, a área responde por 25% do PIB, de
acordo com dados oficiais da Secretaria de Relações Internacionais do
Agronegócio (SRI).

Hoje, o Brasil fabrica principalmente cinco tipos de máquinas: tratores de rodas,
colheitadeiras, retroescavadeiras, tratores de esteira, e cultivadores
motorizados. O campeão de produção, entretanto, é o trator de rodas,
abrangendo 80,3% do mercado. As informações da ANFAVEA ainda apontam
que o Estado mais forte é o Rio Grande do Sul, com 46,7% da fabricação. São
Paulo (25,9%) e Paraná (22,8%) fecham o pódio.

Um dado interessante é que 70% das vendas do maquinário se concentram
entre os meses de março e outubro, sendo agosto o campeão com 9,7% do
comércio. Isso porque é o período de maior capitalização dos produtores de
grãos, de cana-de açúcar, de laranja e de café.

Vale lembrar que a produção nacional é liderada por empresas gringas. Isso é,
das seis principais companhias que atuam no Brasil, cinco são players
internacionais. A marca com mais representatividade no País é a norte-
americana John Deere, com 21,4% das vendas. A conterrânea AGCO segue
de perto com 21,3%. A italiana New Holland CNH fecha o ranking com 18,7%.

A única empresa de capital nacional que tem uma fatia do mercado é a Agrale,
com 3%.

É importante destacar também que 18% da produção de máquinas agrícolas é
destinada ao mercado externo. De acordo com dados da Secretaria de
Comércio Exterior (SECEX), dos cinco países que mais compram do Brasil,
dois deles fazem parte do Mercosul. O TOP 5 é formado por Paraguai (12,4%),
Bolívia (11,4%), Venezuela (11%), México (5,6%), e Argentina (5,5%).

A relevância do Mercosul para as vendas de máquinas agrícolas nacionais é
gigantesca. Argentina, Paraguai e Uruguai representam 20,7% das
exportações. Se abrir o leque para os associados do bloco econômico, o
número se torna ainda mais expressivo: 65,1%.

O problema é que, por mais que o Mercosul seja importante, os países do
bloco estão ficando presos aos seus integrantes e não estão conseguindo abrir
mercado para novas negociações. No setor agropecuário, outros blocos
econômicos são bem representativos e poderiam trazer mais poder para os sul-
americanos. Principalmente para o Brasil.

Além do Mercosul
O Brasil é o único país da América Latina que se encontra entre os 10 maiores
exportadores de tratores do mundo. De acordo com os dados da agência de
métricas UN Comtrade, a maior parte das exportações é realizada por países
desenvolvidos. E mesmo as nações menos privilegiadas que figuram no
ranking acabam faturando bem menos com a comercialização. (Confira a lista
completa no box.)

Em relação ao desempenho dos blocos econômicos, o Mercosul é o que tem
menos força. Segundo a análise da UN Comtrade, entre 2000 e 2013, o
conglomerado sul-americano foi responsável apenas por 2,75% das
exportações mundiais de tratores. O líder do comércio é a União Europeia
(UE), com 50,83% do mercado. NAFTA aparece em segundo com 14,04% das
exportações, e CEI em terceiro, com 4,06%.

Com a UE ocupando a posição de maior exportador mundial, o certo seria o
Brasil rever acordos e políticas de negociação. De acordo com uma pesquisa
realizada pela Câmera Americana do Comércio (Amcham) em parceria com a
Fundação Getúlio Vargas (FGV), se o País conseguisse negociar com o bloco
europeu, as exportações do agronegócio brasileiro, tanto de máquinas como de
grãos, cresceriam 60,8% até 2030.

Vale ressaltar que a possibilidade do Brasil explorar outros mercados faz com
que o País também abra as portas para negociações com os demais
integrantes do Mercosul. Assim, tal iniciativa pode se tornar lucrativa para todos
os envolvidos. Depende apenas do Governo comandado por Michel Temer
quebrar as barreiras para firmar um acordo solido com a UE – e quem sabe
também com outros blocos econômicos, além de Estados Unidos, Japão e
muito mais.



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Maiores exportadores de tratores no mundo


Um estudo realizado pela agência de métricas UN Comtrade apontou quais são
os maiores exportadores de tratores do mundo. A análise levou em conta
quanto cada país lucrou com as vendas em comércio internacional. No ranking,
apenas o Brasil aparece no TOP 10 representando o Mercosul e a América
Latina.

A lista completa você confere a seguir.
1. Alemanha – US$ 3.594 milhões
2. Estados Unidos – US$ 2.448 milhões
3. Itália – US$ 1.823 milhões
4. Japão – US$ 1.479 milhões
5. Reino Unido – US$ 1.458 milhões
6. França – US$ 1.346 milhões
7. Bielorrússia – US$ 831 milhões
8. Áustria – US$ 679 milhões
9. Índia – US$ 628 milhões
10. Brasil – US$ 508 milhões
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