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Encontro debate Mercosul e União Europeia

Cotas ofertadas pela Europa para o etanol e carne bovina foram os pontos mais criticados no encontro do setor privado e dos negociadores sul-americanos com a negociadora-chefe da União Europeia, Sandra Gallina

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu na quarta (4), na sede da entidade, o encontro de representantes do setor privado do Mercosul com a negociadora-chefe da União Europeia (UE), Sandra Gallina, e negociadores da parte sul- americana.

No encontro foram debatidos pontos do acordo comercial entre os países que integram os dois blocos. “Sem sombra de dúvida é um momento único para a relação comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Esperamos que essa rodada possa trazer reais benefícios para os nossos produtores”, afirmou o presidente da CNA, João Martins.

Durante os debates, os membros do Mercosul relataram o sentimento de “decepção” em relação à oferta agrícola dos europeus, considerada essencial para a conclusão do acordo.

A principal crítica é direcionada às cotas de exportação estabelecidas para o etanol (600 mil toneladas) e para carne bovina (70 mil toneladas). Os números são inferiores ao acordado há mais de 10 anos, quando as negociações haviam sido interrompidas.

“A discussão do etanol e da carne bovina está difícil nesse momento na Europa. Não é um problema com o Mercosul, mas uma questão política interna. Existem outros pontos que já estão sobre a mesa como suco de laranja, milho, frango e carne suína. Creio que isso pode ser interessante, especialmente para o Brasil”, afirmou Sandra.

Na opinião da Superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, o encontro permitiu um momento de “abertura” entre o setor privado e os negociadores-chefe presentes.

“Foi uma oportunidade de ouro para as entidades do setor privado conseguirem pressionar um pouco a União Europeia, que vem apresentando uma resistência injustificada a ampliar as negociações e fazer uma oferta mais condizente com o tamanho do mercado do Mercosul”, afirmou Lígia.

O negociador-chefe do Brasil, embaixador Ronaldo Costa, afirmou estar otimista em relação ao andamento do acordo. “As negociações têm avançado de uma forma muito positiva e importante ao longo do último ano. Esse encontro promovido pela CNA é uma oportunidade valiosa porque permite aos negociadores um contato direto e franco sobre o real interesse dos distintos setores econômicos”.

Hoje, apenas 8% das exportações agro mundiais saem do Mercosul, num valor estimado de US$ 116 bilhões de dólares. Por outro lado, a UE é o maior exportador de alimentos do mundo.

"Assinatura do Acordo de Livre-Comércio entre Mercosul e União Europeia levará Brasil a outro patamar", diz chefe Divisão de Negociações Comerciais com a Europa e a América do Norte do Itamaraty"

Em agosto, ocorreu no Palácio Tangará, em São Paulo, a abertura do Ciclo de Conferências – Acordo de Livre-Comércio entre União Europeia e Mercosul. Resultado de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações Empresariais Internacionais (IBREI) e a Católica Lisbon School of Business Economics – da Universidade Católica de Lisboa, o evento teve como objetivo o estreitamento de relações entre o setor público e o setor privado a fim de mostrar às lideranças empresariais do país a importância da assinatura do tratado de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Com aproximadamente 300 participantes confirmados, os painéis de discussão foram ministrados por Negociadores-chefe e Autoridades dos principais países envolvidos bem como por representantes das maiores empresas e entidades representativas setoriais como confederações, federações e associações empresariais.

Paula Aguiar Barbosa - Chefe da Divisão de Negociações Comerciais com a Europa e a América do Norte do Itamaraty - garantiu que a assinatura do acordo "levará o Brasil a outro patamar", influenciando na economia do País. A União Europeia é uma grande investidora no Brasil, pois, em 2015, R$ 230 milhões foram aplicados aqui", explica Barbosa ao destacar que, atualmente, o País também negocia cordos com Bruxelas, Genebra e Canadá.

No entanto, a palestrante destacou que o Brasil ainda é um País muito fechado para negociações internacionais. Tal fato é reforçado por Gabriel Petrus, diretor executivo da Câmara de Comércio Internacional (ICC). De acordo com um estudo da instituição, o Brasil aparece em 69º em um ranking com os 75 países de economia mais fechada do G-20.
Agora é o momento de nos abrirmos para o mundo", alerta. Bernardo Ivo Cruz, ex-presidente da Câmara de Comércio Luso-Britânica de Londres, acredita que o acordo "é um dos mais importantes para reforçar a dimensão do Atlântico Sul;. O executivo falou sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e os desdobramentos que a medida pode ter. "Eles têm bastante tecnologia, mas com pouca dimensão. Além disso, importam agronegócio e compram mais do que vendem, aponta Cruz. O palestrante destaca, ainda, que a área de serviços é a mais forte da região. "Em se tratando de Brasil, é muito importante que nosso País estabeleça relações com sua antiga metrópole. Portugal é a plataforma natural para as empresas brasileiras adentrarem no mercado europeu", relata.

As expectativas do setor privado também foi pauta do ciclo de palestras. De acordo com Rubens Medrano, vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio-SP), o tratado elimina burocracias alfandegárias, o que economiza tempo entre transações. "Isso possibilita ao Brasil ter acesso a outros mercados", ressalta. No entanto, Medrano pontua que é importante que haja isonomia entre as negociações nacionais e internacionais, permitindo a um país produzir e também usufruir de benefícios. "O e- commerce no Brasil é preocupante. Por mais que seja bem forte, são as empresas internacionais que têm mais participação.

Para o esloveno Stefan Bogdan Barenboim-Salej, diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), não é somente um setor que tem que ser beneficiado com o acordo, mas sim todo o País. Não podemos ver essa assinatura como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade, pois o Brasil precisa se abrir mais e ser competidor a nível mundial. O executivo destaca que deve haver uma mudança de paradigma para a melhora de resultados. "O chão de fábrica precisa mudar. Precisamos cada vez mais usar a tecnologia como aliada e caminhar para a adoção da Indústria 4.0.

Por envolver dois dos maiores blocos econômicos do planeta, a assinatura do tratado de livre comércio, prevista para dezembro deste ano, promoverá grande impacto nas relações internacionais do mundo inteiro. Por esse motivo, é de extrema importância a participação do setor empresarial nas discussões do Ciclo de Conferências. Assim, pode-se conhecer o que está sendo falado e exercer uma participação mais ampla e ativa no desenvolvimento das negociações", afirma Maurício Prazak, presidente do IBREI.

O Congresso ocorre de forma sequencial em sete países (Bélgica, França, Alemanha, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil). Em cada um deles, contará com a presença e participação de negociadores internacionais, bem como ministros, embaixadores, cônsules e dirigentes das Câmaras de Comércio dos principais países da União Europeia e do Mercosul.

Sobre o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações Empresariais Internacionais (IBREI) O Instituto Brasileiro De Desenvolvimento De Relações Empresariais Internacionais (IBREI) é uma Associação sem fins lucrativos constituída de profissionais de diferentes países, com renomada atuação nas áreas empresarial e jurídica. Tem a missão de aprimorar do ambiente de negócios internacional estabelecendo uma ponte para o estreitamento das alianças e relações entre profissionais, empresas e instituições, públicas e privadas. Para cumprir com seus objetivos, o IBREI tem sua atuação focada na facilitação de acesso internacional à informações sobre mercados e práticas negociais; na promoção de orientações às empresas, investidores e profissionais que pretendam desenvolver negócios no Brasil; na realização de ações voltadas ao desenvolvimento profissional dos empresários nacionais; na disseminação de informações relevantes e atualizadas sobre o mercado internacional; bem como, na promoção de estudos da legislação empresarial e de áreas afins de forma a aprimorar a qualidade do ambiente de negócios brasileiro.

NPV discute fertilizantes e sustentabilidade em congresso

A importância da fertilização para a produção agrícola foi exposta e debatida no 7º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, realizado em São Paulo em agosto pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e com apoio da Nutrientes Para a Vida (NPV). A cerimônia de abertura contou com a presença do governador paulista, Geraldo Alckmin, que demonstrou otimismo com o tema.

“O Brasil passou a ser esse campeão da agricultura tropical no mundo e uma das agriculturas mais eficientes graças à fusão do trabalho da Anda e a fertilização, e tem aí uma avenida para crescer. Nosso corpo vai mudando a cada quatro, cinco meses... Daqui a seis meses nós seremos outros e essa renovação se faz principalmente pelos nutrientes. Então, não há saúde propriamente dita se nós não tivermos alimentos de qualidade. E alimento não brota por geração espontânea, ele é fruto de um solo e de um manejo adequado”, discursou Alckmin, médico por formação, durante o evento.

Entre os temas apresentados no Congresso estavam Desenvolvimento do Setor de Fertilizantes Global nos Últimos 50 Anos e Perspectivas de Oferta e Demanda Para os Próximos Anos, defendido por Charlote Hebebrand, diretora geral da International Fertilizer Association (IFA), e Perspectivas Para a Agropecuária Brasileira Para os Próximos Cinco Anos, com Alexandre Mendonça de Barros, sócio da MB Agro. Fertilizantes, Sustentabilidade e Nutrientes Para a Vida no Brasil foi a palestra proferida por Heitor Cantarella, diretor do Centro de Solos e Recursos Ambientais do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e coordenador técnico do NPV.

“Uma coisa importante que precisamos ter em mente é a natureza dos fertilizantes. Os nutrientes não podem ser substituídos, as funções do fósforo e do nitrogênio não podem ser substituídas por nada que podemos aplicar ou deixar de aplicar. Eles são componentes naturais das plantas. Mais ou menos 5% da matéria seca de qualquer vegetal são compostos por nutrientes minerais, sem eles não temos produção vegetal”, informou Cantarella logo no início de sua apresentação. “Outro ponto importante que deve ser divulgado ao público é que os nutrientes são fatores de aumento de produção, sendo eles componentes naturais das plantas.
Se aumentamos a produção de plantas, precisamos aumentar também o suprimento de nutrientes, assim uma nutrição balanceada vai gerar uma maior produção agrícola, diferentemente da maioria dos outros insumos que são usados na agricultura feitos para proteger a produção pendente, não aumentando a produção, mas protegendo as plantas contra inimigos como insetos, aracnídeos, fungos e bactérias”, prosseguiu.

Sobre a sustentabilidade, Cantarella afirmou que a indústria de fertilizantes está atenta ao problema, inclusive por questões econômicas, e que tem feito ganhos nesse sentido, citando como exemplos a diminuição da energia gasta para a produção de amônia e a eficiência dos novos produtos que estão entrando no mercado. “As ferramentas para aumentar a sustentabilidade e reduzir os impactos ambientais estão sendo desenvolvidas e adotadas”, declarou.

Outros benefícios dos fertilizantes para o meio ambiente citados por Cantarella foram a estocagem de CO 2  no solo – “isso é explicado pelo fato de que o que incorpora carbono no solo é a matéria orgânica de planta; daí o papel dos fertilizantes ao estimularem o produção vegetal” – e o controle de erosões – “o que preserva o solo de erosão é a planta, viva ou morta. Se o solo não estiver bem nutrido, a produção vegetal será menor e ele estará mais sujeito a erosão.”

Ao fim de sua apresentação, Heitor Cantarella falou da importância da NPV para evitar que os fertilizantes sejam associados com produtos causadores dos desequilíbrios ambientais, que acabam gerando desinformação para a população. “Precisamos ter uma atitude mais proativa junto a todos esses polos para evitar que essas concepções falsas sejam difundidas, ou então tomarmos as medidas que forem necessárias para melhorar a imagem desse insumo importante para a agricultura”, disse antes de exibir um vídeo gravado em São Paulo em que pessoas de nível médio e superior demonstram desconhecer as reais vantagens dos fertilizantes. “A maior
parte dos entrevistados é de pessoas com nível universitário, então, não são pessoas ignorantes, mas são desinformadas a respeito de fertilizantes e parte da culpa é nossa. Nós é que temos que fazer essas informações chegar a eles”, finalizou.