Tecnologia

Tech agricultura

Investimento em tecnologia, inovação e pesquisas agrícolas transformaram o Brasil em referência no setor

Marcella Blass

Nos últimos 30 anos, o setor agrícola no Brasil foi protagonista de um crescimento bastante expressivo. O País teve a capacidade de se adaptar e aprimorar suas técnicas de produção para desenvolver uma produtividade tão boa como as praticadas na América do Norte.

Uma das principais aliadas desse avanço no País foi a tecnologia. Internet no campo, tratores que traçam rotas com ajuda de GPS, agricultura de precisão e outras técnicas inovadoras há anos têm ajudado a multiplicar a produção nas lavouras. Isso, entre outros fatores, fez com que os produtores brasileiros tivessem à disposição cada vez mais métodos para continuar a crescer, mesmo sem precisar expandir suas áreas em hectares. 

Outra grande e determinante transformação proporcionada com ajuda da tecnologia foi a possibilidade de plantar soja adaptada ao Cerrado, área tradicionalmente caracterizada pelas baixas produtividades. O Brasil conseguiu se tornar uma exceção na produção agrícola nessa parte do planeja e virou protagonista no cultivo de grãos, fibras e carnes em áreas que, até então, as lavouras não conseguiam prosperar.  

Hoje, as tecnologias agrícolas já ajudam os produtores a tratar solo, selecionar e plantar sementes, prevenir e se livrar de pragas. A mecanização das lavouras ainda aumentou a capacidade de plantar e colher cada vez mais, gerou vagas de emprego regularizadas e deu melhores condições de vida para os trabalhadores rurais. 

Ferguson tem o MF 6713, que tem um sistema de transmissão mais simples, que faz com que o condutor não precise pisar em um pedal para trocar de marcha. Isso é possível graças ao câmbio robotizado, que só exige um apertar de botão.

Potencial estagnado

A Argentina, que constitui o bloco econômico Mercosul ao lado do Brasil, Uruguai e Paraguai, tem solos muito férteis, boa logística, capital humano e produção marcada por tecnologia. O pais também é caracterizado por seu extenso território, mas com uma população relativamente pequena, o que fez com que a nação fosse marcada pela exportação de produtos agrícolas.

A forma como as exportações impactavam a estrutura de demanda por produtos agrícolas, pouco a pouco, fez com que o governo visse o agronegócio como uma boa fonte de arrecadação tributária. Ao longo dos últimos 15 anos, a intervenção estatal nesse mercado não parou de crescer. A ideia, no começo, era aumentar a arrecadação com taxas de exportação. Depois, foram criadas cotas de exportação para diminuir o volume enviado, elevar a oferta interna e fazer com que os preços caíssem para os argentinos.

Softwares avançados têm auxiliado em todos os processos de planejamento da plantação, na operação do preparo do solo até a colheita, em todo o controle financeiro da fazenda, comercialização dos produtos, expansão de área, agilidade e até na transmissão dos dados e costumes de geração em geração. Todo esse suporte e inteligência permitiu também plantar grãos diferentes entre safras, o que não era possível há alguns anos e fez com que a produtividade e o lucro por hectare subisse consideravelmente. 

O Brasil também trabalhou para desenvolver uma das maiores redes de pesquisa agropecuária do mundo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que faz extensos estudos sobre variedades de plantas, genética animal, solos, pastagens, manejo florestal e adubação. Com isso, o País é o grande líder em ciência e inovação para a agricultura não só entre todos os parceiros de Mercosul, mas em todo o cinturão tropical do globo. 

Contudo, a diminuição da rentabilidade causada pela tributação fez com que a produção no país perdesse energia, e com cada vez menos lucro, menos investimento entrava. Foi assim que a Argentina caiu do terceiro lugar no ranking de exportação mundial de carne bovina para a 13ª colocação. Nesse caso, as condições propícias e toda a tecnologia disponível não foram o bastante para salvar o país de uma grande fase de estagnação.  

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) fez um estudo sobre a evolução da Produtividade Total dos Fatores (PTF) em vários países. O documento mostrou como a intervenção do governo foi danosa ao agronegócio do país. Entre 1992 e 2001, a PTF caminhou cerca de 20% na agricultura da Argentina e 25% na do Brasil. Mas, a partir desse período, a produtividade na Argentina estagnou, enquanto a do Brasil não parou de avançar e inovar.

É tudo nosso

O maquinário, imprescindível para o dia a dia agrícola, foi um agente ativo na implementação de tecnologia no setor. Grandes empresas já produzem tratores, plantadeiras, colheitadeiras de grãos, pulverizadores e uma série de outras máquinas e implementos em solo brasileiro. E apesar de ainda terem preço sugerido alto, eles mostram como o Brasil está dando passos largos para se equiparar à tecnologia adotada em países mais desenvolvidos. 

Uma das grandes inovações em máquinas agrícolas que já é produzida no Brasil é a colheitadeira s690, da John Deere, voltada para lavouras de soja e grãos. Sua tecnologia integrada ajuda no controle do operador, o sistema de mapeamento oferece informações sobre os locais aos quais já foram ou precisam ser colhidos, enquanto o diagnóstico remoto de problemas permite que uma equipe técnica analise a máquina à distância. 

Já a colhedora Axial-Flow 9230, da Case IH, usa tecnologia para colher sem danificar o produto, o que facilitou a vida dos produtores que trabalham com grãos que precisam chegar bonitos à mesa do consumidor. Para o setor de tratores, a Massey

Produção e exportação

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento da Europa (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o Brasil chegará à liderança das exportações mundiais do setor agrícola em 2024. Até lá, espera-se um crescimento baseado na melhora da produtividade dos agricultores e na expansão das lavouras.

O Instituo de Economia Agrícola (IEA) afirma que, no primeiro semestre de 2017, foram fabricadas 28.795 máquinas, o que representou um aumento de 40% na produção nacional em relação ao ano anterior. As vendas também cresceram 24,4%, representando uma elevação de 21,7% na comercialização para o mercado interno e 35% em exportações.

Especialistas do setor acreditam que esse crescimento ainda é um reflexo dos incentivos dados pelo Governo Federal. Há o Plano Safra, lançado anualmente com uma verba para financiamento de maquinário, e também o Modefrota, linha de financiamento voltada ao crédito para compra de máquinas agrícolas.

 

Todo esse investimento interno tem sido um agente determinante para potencializar o crescimento do agronegócio brasileiro. Isso porque ele amplia a produção nacional, abre espaço para mais tecnologia e inovação e, pouco a pouco, reduz a dependência brasileira em equipamentos importados.

Mas ainda há muito espaço para crescer. Para manter o Brasil entre os principais produtores agrícolas, é fundamental manter uma constância no investimento interno em produção de máquinas e equipamentos nacionais. Dessa forma, o País continuará a crescer até realizar a previsão de sucesso da OCDE.